Nos últimos anos, a adoção de tecnologias biométricas no Brasil avançou de maneira impressionante, transformando a forma como clientes e instituições financeiras interagem. À medida que a digitalização dos serviços bancários se intensifica, a biometria surge como protagonista para conciliar segurança e conveniência em um único recurso.
Dados recentes indicam que 82% dos brasileiros já utilizam algum tipo de tecnologia biométrica para autenticação em serviços digitais. Essa popularização se deve à busca por métodos mais confiáveis e ágeis do que senhas tradicionais, que se tornaram alvo constante de ataques cibernéticos.
A biometria consiste no reconhecimento de características físicas ou comportamentais únicas de cada indivíduo, como impressão digital, face, íris ou padrões de voz. No contexto financeiro, essa tecnologia substitui ou complementa senhas e tokens, oferecendo processos mais rápidos e intuitivos ao usuário.
Além da agilidade, a biometria ganhou força pela promessa de maior proteção: traços biológicos não podem ser esquecidos, compartilhados ou reutilizados de forma indevida, dificultando fraudes como clonagem de cartões ou roubo de credenciais.
No Brasil, os três métodos mais utilizados em bancos e fintechs são:
Além desses, começam a chegar ao mercado cartões biométricos com sensores de impressão digital integrados, ampliando ainda mais a conveniência para pagamentos presenciais.
Para o consumidor, a principal vantagem é a eliminação da necessidade de memorizar senhas complexas. Estudos apontam que 81% dos brasileiros consideram a biometria mais segura que métodos convencionais, e 63% dos usuários veem a impressão digital como o método mais confortável para autorizar transações.
A biometria oferece proteção baseada em características intransferíveis, mas não é à prova de falhas. Em janeiro de 2025, foram registradas mais de 1,24 milhão de tentativas de fraude no Brasil, o equivalente a um ataque a cada 2,2 segundos. As fraudes financeiras passaram a representar 53,4% dos casos registrados em 2024, com um prejuízo potencial de R$ 51,6 bilhões se não fossem barradas.
Golpistas utilizam técnicas cada vez mais sofisticadas, como deepfake facial, engenharia social e até eventos de deepfake e engenharia social para burlar sistemas de reconhecimento. Há também registros de uso de próteses de silicone para falsificar impressões digitais em caixas eletrônicos, apesar dos sensores anti-spoofing que detectam calor e pulsação.
Um perigo adicional é que dados biométricos não podem ser alterados em caso de vazamento, ao contrário de senhas. Uma vez exposto, o usuário fica permanentemente vulnerável a possíveis reaproveitamentos maliciosos.
No Brasil, a LGPD classifica informações biométricas como dados sensíveis, sujeitando organizações a multas de até R$ 50 milhões em caso de falha na proteção. Para mitigar riscos, recomenda-se:
Essas práticas ajudam a reduzir a exposição do usuário e reforçar a confiança na tecnologia, que só deve ser compartilhada com instituições transparentes e regulamentadas.
O cenário de biometria nas finanças segue evoluindo, com inovações que prometem elevar ainda mais a proteção e a experiência do usuário. Entre as principais tendências, destacam-se:
Combinando múltiplos fatores de autenticação, criptografia avançada e sistemas anti-spoofing, as instituições financeiras podem oferecer uma experiência cada vez mais fluida e protegida, atendendo às expectativas de um público cada vez mais exigente.
No entanto, a adoção consciente e criteriosa da biometria é fundamental. Embora os benefícios sejam inegáveis, as vulnerabilidades e preocupações com privacidade exigem atenção constante. Equilibrar inovação, regulamentação e educação do usuário será a chave para consolidar a biometria como pilar seguro e prático do sistema financeiro brasileiro.
Referências